Um pouco do islamismo: do surgimento a expansão na África
Um pouco do
islamismo: do surgimento a expansão na África
Conforme
a tradição do Islã, Maomé, cujo nome era Abulqasim
Muhammad ibn Abdala ibn Abd al-Mutalib ibn Hashim, foi o derradeiro dos
profetas, assim, ele não é o criador do islamismo e sim o continuador de uma
tradição monoteísta antiga que antecede ao surgimento do profeta. Assim, na
atualidade, os pesquisadores optam, ao se referir ao profeta escrever Muhammad
ao invés de Maomé, por uma questão de respeito.
Desta
forma, segundo a tradição, Muhammad é o continuador de seus antecessores, Abraão,
Ismael, Isaac, Jacob, David, Moisés e Jesus, e não o criador de uma nova
religião. Assim, para a tradição islâmica, ele é último e maior dos profetas e o
homem mais perfeito nascido entre os homens, portanto suas doutrinas devem ser
seguidos por toda humanidade, daí o caráter expansionista do Islã.
A
partir de então, o Islamismo vai se desenvolver, principalmente a partir do
domínio comercial tendo os gêneros alimentícios como principais produtos. Essa
expansão vai se dar primeiramente no arredores de Meca, que mais tarde vai se
tornar a cidade sagrada do Islã, nesse período uma cidade-estado, era um dos
mais importantes centros comerciais da região, graças ao fluxo enorme de
pessoas proporcionado pela peregrinação aos seus templos e santuários.
Na
época que esteve em Medina, conseguiu vários feitos de unificação de várias Cabilas, uma espécie de tribos, que ele
comandava. Para convencer, utilizava de alianças que podiam ser seladas com
casamento.
Do
ponto de vista religioso ele também consegue ajuntar em seu comando as diversas
tradições árabes, pregando sempre que o islamismo é, além de uma religião,
também um modo de vida. Após unificar as várias cabilas em Medina começa uma nova fase da expansão islâmica marcada
por ataques as caravanas dos infiéis, principalmente as dirigidas à Meca,
principais rivais comerciais e religiosos.
Assim,
o Islã vai crescendo e se difundindo principalmente por rotas comerciais. Após
a marte de Maomé, seu sogro assume a liderança e continua com a expansão.
Os
vestígios e informações obtidas nos documentos antigos apontam rotas terrestres
ligando várias regiões africanas suficientemente conhecidas e utilizadas desde a
antiguidade até o século XV. Dentre esses povos podemos destacar Ghana, Mali e Songhai.
Ghana, Mali e
Songhai
O
império do Ghana sempre chamou a
atenção para si graças ao ouro. Sua posição geográfica adequada ao norte do
Niger e do Senegal ligava a região produtora de gado e de produtos agrícolas à
região do deserto do Saara. Era também o final de uma rota de caravanas
conhecida desde a pré-história como rota dos carros e tudo isso contribuiu para
Gana se tornar um importante entreposto comercial e um reino bastante conhecido
e rico. (KI-ZERBO, 1999, p. 133-134) Império de Gana começa seu crescimento a
partir do século VIII d.C.
As
origens do Reino do Mali são pouco
conhecidas. Todos esses povos tiveram a experiência de chefes que se reuniam em
confrarias de caçadores, essas confrarias escolhiam um chefe principal, que
participava do grande conselho que decidia da guerra e dos impostos. Os
impostos consistiam em dias de trabalho nas terras do chefe e em gêneros
agrícolas reunidos para as festas agrárias da coletividade.
Os songhais ocupam a região desde tempos
imemoriais, mas seu reino, deve ter sido organizado entre os séculos V e VII
d.C. Alguns pesquisadores consideram Sonni Ali como o protetor das tradições
dos povos negros, tendo lutado contra a expansão do islamismo no oeste africano
e também tomando atitudes de grande desagrado ao mundo muçulmano.
Referencial
KI-ZERBO, Joseph. História
da África negra I. 3. ed. Lisboa: Publicações Europa-América, 1999.
http://www.graduacaounead.uneb.br/mod/resource/view.php?id=74391.
Acessado em: 12 set 2019.

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